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Notícias e Estórias

O momento justifica-o e o objecto da família, Ex-Militares da Companhia de Caçadores 3485, impõe-no. Vamos, todos, contribuir com notícias e estórias do presente e do passado.

Notícias e Estórias

O momento justifica-o e o objecto da família, Ex-Militares da Companhia de Caçadores 3485, impõe-no. Vamos, todos, contribuir com notícias e estórias do presente e do passado.

O que os grandes clássicos da literatura deixam entender sobre as pandemias, como a que estamos a viver com o Covid-19.

Alto Chicapa, 26.06.20

Palacio Bolsa protesto cordão sanitario peste bub

(protesto no Palácio da Bolsa contra cordão sanitário / Peste bubonica 1899)

- A Peste de Albert Camus (1947)

- O Ultimo Homem de Mary Shelley (1826)

- A Máscara da Morte Rubra de Edgar Põe (1842)

- O Amor em Tempos de Cólera de Gabriel G Marques (1985)

- Noites de Peste de Daniel Defoe (romance recente, passado em 1901)

- Os Noivos de Alessandro Manzoni (1827)

- O Ensaio sobre a cegueira de José Saramago (2008)

 

Há uma curiosidade ao longo da história e da literatura sobre as pandemias, que torna isto tudo muito semelhante... ainda hoje.

Não são os vírus, as bactérias ou as pragas, como lhe chamavam... são os nossos comportamentos.

Ao longo desta crise viral, as nossas atitudes têm oscilado entre:

  • Doentes e mortes;
  • Economia;
  • Desunião europeia;
  • Interesses, egoísmo de personagens e fazedores de opinião, onde a irresponsabilidade se mistura com simuladas verdades numa teia irracional de comportamentos;
  • Fraqueza psicológica.

... a abordagem às pandemias parece secular. Desconhecimento, opiniões casuísticas, proibição, isolamento, restrições, encerramentos... por maior que sejam as limitações, os receios do povo que pensa só por si, nem sempre de uma forma sábia ou tolerante, atira-se para o desconhecido sem a necessária informação científica ou sanitária que o  ajude a rejeitar o egoísmo e o irracional.

As incertezas e as mortes de hoje, que muitas famílias estão a vivenciar, revelam a mesma fragilidade da vida noutras épocas… um mundo sem jornais e de analfabetos onde só a imaginação e os tormentos deixavam entender onde estava o perigo (quando se lê, por exemplo, Os Noivos de Alessandro Manzoni, tudo se torna mais claro, nos dias de hoje).

Atualmente, o comportamento de alguns lembra o jogo da roleta russa... num inconsciente exercício de auto suicídio em grupos formais ou informais, de onde, de um momento para o outro, a consciência científica e sanitária se ausenta... uns trocam a vida pelo prazer de momentos e outros pelos resultados económicos… depois de tantos avisos recentes à humanidade: SARS-Cov em 2002, a gripe das aves h5n1 em 2003, a gripe suína h1n1 em 2009, o Síndroma Respiratório do Oriente MERS-COV em 2012, Ebola em 2013, o Zyka em 2015... ou, por exemplo, a Legionela com tantos casos recentes no nosso país.

Ultrapassada (?) mais esta provação, espero um futuro melhor para os que cá ficarem, uma ciência independente das multinacionais… que fique apenas o sintoma decisivo para mudar mentalidades, para diminuir a dependência dos subsídios, para ver empresas fortes, capitalizadas e com trabalhadores envolvidos na sua riqueza e um país “quase” autossuficiente no essencial.

Nesta pandemia do vírus covid 19, que ninguém sabe quando e como acaba, a débil estrutura empresarial de Portugal ficou sem argumentos, a desunião europeia reafirmou-se e o desaparecimento do Estado das grandes áreas da vida das pessoas deu lugar a um grito de todos para que o governo faça agora tudo, pela saúde, pela economia, pelas empresas, pelo desemprego e pelas famílias… paradoxalmente o nível de contradição social com as grandes fortunas e os mercados da dívida é o máximo.

Para os mais desatentos, o Covid comprova a insustentabilidade do atual sistema globalizado, do capitalismo, dos mercados... a incapacidade mundial para combater uma recessão económica, a impreparação demonstrada pela ciência no combate a novos vírus e a crise civilizacional que continua a passar por nós.

Para terminar:

- Os lucros de milhões… milhões anunciados oficialmente pelas empresas… onde estão? Como e onde estão os que ajudaram a criar riqueza?

- Os milhões do turismo… impostos, taxas, taxinhas… para onde foram? Como estão as empresas e aqueles “peões” do setor que ajudaram a engordar, tanto, o PIB português?

- A igreja, com conhecimentos ancestrais sobre pandemias, não está no terreno com a palavra, a sua organização e a proximidade... não chega o culto. Qual a razão do governo descartar tão importante ajuda? … não só para os comportamentos anti-covid, mas também pela experiencia no conforto da mente.

- Apesar de tudo, também, a minha, meia culpa… mantenho o meu otimismo, de que será mais uma etapa da vida para ganhar apesar da ausência de um tratamento específico. Não vou aceitar o otimismo “bacoco” de achar que as recomendações dos cientistas não são seguras ou confiáveis... não me vou deixar instrumentalizar para fins políticos e/ ou económicos onde a vida parece importar menos do que os nossos luxos e os nossos prazeres.

Carlos Alberto Santos

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Os ovos do melro da minha tangerineira

Alto Chicapa, 21.04.20

Num dos meus últimos momentos de escrita (posts) , onde disse: - Desejo que os ovos do melro da minha tangerineira vos tragam muito mais do que a simbologia da época...

O que aconteceu, de seguida?

Ninguém me chamou charlatão (compreendo... estávamos na quaresma!), mas pelas conversas que mantive com alguns, fiquei com a ideia do que vos ia no pensamento... pintar ovos, loja de chineses, um ninho para a fotografia, podias ser mais criativo, onde está o coelho, qualquer dia vai aí um GNR ajudar-te a atravessar a rua, etc.

Verdadeiramente… aconteceu vida!

Vejam nas imagens:

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Urbanos... estão perdoados!

Com Covid ou sem Covid, sintam aquele meu abraço do tamanho do Chicapa.

Carlos Alberto Santos

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Convívio de S. Martinho de 2019 em Setúbal (15 a 17 de Novembro) – Operação Bocage

Alto Chicapa, 14.04.20

Apesar da distância, desde o Porto e de outras regiões mais a norte, o nosso encontro de São Martinho de 2019, em Setúbal, foi iluminado por vários momentos e com motivos de interesse para diversas sensibilidades.

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Um encontro de amigos é a melhor rede social e às vezes é só isto... quando menos se espera, aparece um daqueles momentos que nunca mais se esquece.

Começámos por uma visita ao Palácio da Quinta da Bacalhoa em Azeitão, a antiga Quinta de Vila Fresca, propriedade da Casa Real Portuguesa.

Com mais de 500 anos de história, entre modificações sucessivas, foi uma propriedade desejada por diferentes famílias.

A mais famosa quinta da região devido ao seu rico património de azulejos dos séculos XV e XVI, foi classificada pelo IPPAR em 1996 como Monumento Nacional. Atualmente, pertence à Fundação Berardo, os mesmos donos do Budah Eden, onde já estivemos em convívio.

O palácio restaurado e a coleção de obras de arte não deixaram ninguém indiferente.

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Para completar o primeiro dia, o queijo surgiu com apontamentos de requinte.

Durante a visita à Quinta Velha Queijeira de Azeitão, participámos na produção de queijo, com leite de ovelha e flor de cardo, em vez de coalho, e onde também foi bom apreciar os bons produtos do nosso país, entre pão da região, o queijo fresco acabado de fazer, o queijo de Azeitão amanteigado, a compota caseira / chutney e o moscatel de Setúbal.

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Na manhã do segundo dia a Vila de Sesimbra presenteou-nos com um mar calmo e azul, que parecia misturar-se com o céu.

Foi no ex-libris da região, o Castelo de Sesimbra, construído pelos mouros e conquistado no início do reino de Portugal, que nos deliciámos com uma envolvência magnífica sobre a vila e uma vista sobre o mar, de cortar a respiração. No seu interior, para além de um café e de um núcleo museológico com artefactos encontrados em todo o concelho de Sesimbra, há uma igreja marco da reconquista cristã de Dom Afonso Henriques, a Igreja de Nossa Senhora da Consolação, com um altar muito bonito e paredes revestidas a painéis de azulejos azuis e brancos, magníficos.

No entanto, ainda entre aquelas muralhas, um espetáculo triste… um cemitério num estado lastimável e desprezado.

Depois… a Serra da Arrábida com paisagens lindas entre pequenos miradouros para contemplar o estuário do rio sado, a tranquilidade das praias e a península de Troia.

Terminámos a manhã no afamado mercado do livramento entre peixe de excelência, frutas, legumes, paredes cobertas de azulejos, que retratam cenas da vida, da pesca e da agricultura, e a nossa animação bem na essência do nosso grupo de amigos.

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A melhor forma de conhecer e visitar os pontos de interesse turístico na cidade de Setúbal foi andar a pé.

A Praça do Bocage, inserida na baixa, é o local mais central e obrigatório para se iniciar uma visita. A estátua, de Manuel Maria Barbosa du Bocage, poeta nascido em 1765, os Paços do Concelho e a Igreja de São Julião.

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Depois foi o roteiro até à Casa museu Bocage, num bairro histórico, para descobrirmos o pensamento do poeta e a sua época. No percurso passámos pelo Museu do Trabalho e subimos ao miradouro virado ao mar e ao rio Sado.

A Casa Museu, um local de inspiração, de documentação histórica e literária acolheu-nos com bons momentos de leitura de poemas do poeta.

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Um dos livros mais polémicos da literatura portuguesa, as “Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas”, de Bocage, é uma antologia poética que retrata a faceta mais excêntrica do poeta português.

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Podem obter o livro AQUI (uma oferta Luso Livros)

Seguiu-se um passeio pela avenida Luísa Todi, a mais célebre da cidade e um dos principais pontos turístico da cidade de Setúbal (homenageia a cantora lírica Luísa Todi nascida na cidade no séc. XVIII).

Depois de uma visita a uma exposição de pintura na Galeria de Pintura Quinhentista, fomos terminar o dia num restaurante local, com uma noite de fados, entre choco frito, castanhas e água-pé.

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Ao terceiro dia, domingo, durante a partida em direção ao Castelo de Palmela a chuva foi a nossa companhia, mais exigente, nem D. Afonso Henriques, em 1147 o foi.

Chegados ao Castelo, que foi recuperado por D. Sancho I, a primeira vista, de cima das muralhas, é sobre a vila de Palmela e a sua igreja matriz. Mais à frente lá estavam Setúbal e Troia, igualmente lindas apesar da chuva. Do lado norte, o rio Tejo e a cidade de Lisboa.

Conta a história de Portugal: - Durante as invasões mouras, os soldados portugueses acendiam fogueiras no castelo sinalizando a invasão e consequentemente antecipavam a defesa da cidade de Lisboa.

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Na reta final do nosso Encontro de São Martinho, regressámos a Lisboa, para antes do almoço no Parque das Nações, realizarmos uma visita panorâmica pela cidade, entre a Torre de Belém e a Baixa Pombalina.

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Vídeo

 

Carlos Alberto Santos

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A última semana da Quaresma, conhecida como Semana Santa

Alto Chicapa, 09.04.20

Com tantos dias de quarentena no mundo, seria bom que "todos" conseguissem entender estes ensinamentos, que a vida nos proporciona.

Perante isto, encontrem o engenho e a capacidade de recomeçar, de respeitar o próximo, a biodiversidade, o equilíbrio da natureza ou de, pelo menos, se esforçarem por viver em harmonia e sem egoísmos entre lugares, ideias, povos, credos, políticas ou raças.

Desejo que este vírus seja apenas o melhor ensino intensivo à distância e agora presencial de que, há muito tempo, a nossa sociedade parecia carenciada. É o mais importante dos exames das nossas vidas. Espero que nos transforme e nos torne mais racionais nas decisões sobre as urgências económicas, sobre o canibalismo dos mercados e, porque não, do facilitismo com que brindamos os nossos filhos... entre outros, como o novo sentimento ou a instituição do "descartável".

Acreditem, também: - Tudo, está lá, nas empresas. Não houve nenhuma guerra destruidora. A economia, os mercados, o ensino, o lazer e os outros podem recomeçar, mais tarde ou mais cedo... ou de uma forma egoísta e/ ou apressada e/ ou mais calculada... a saúde, essa, raramente se refaz totalmente e sem cicatrizes.

Desejo que os ovos do melro da minha tangerineira vos tragam muito mais do que a simbologia da época. Saúde, felicidade e compreensão.

ovos.jpgTambém quero, que sintam aquele meu abraço do tamanho do Chicapa e que o dia de Páscoa vos traga um pouco de alegria.

Carlos Alberto Santos

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Qual é a parte da recomendação "fiquem em casa" que não compreendem?

Alto Chicapa, 30.03.20

O alerta de uma médica / Leiam com calma e se quiserem... até ao fim.

Se há assunto que não deixa de ser falado 24h/dia, 7 dias por semana, em todos os canais noticiosos é a progressão da pandemia ao vírus SARS-CoV-2. Todos os dias, a Diretora-geral de Saúde com a Ministra da Saúde emitem um boletim númerico da evolução do contágio da país. A tutela encerrou as escolas até dia 9 de abril e decretou estado de emergência nacional. Se isto não é pôr os sinos a tocar a rebate, não sei certamente o que será.

Por isso, é com absoluta repugnância que assisto na televisão ao engarrafamento no tabuleiro da ponte 25 de abril em plena tarde solarenga de sábado. Que seja preciso que a polícia faça uma operação STOP para demover o mais comum dos mortais de ir apanhar um bocadinho de sol à praia é absolutamente chocante. Somos um país de brandos costumes, de dar uma no cravo e outra na ferradura, de gente sem a mínima espinha dorsal para assumir a necessidade de manter o isolamento social. Vergonha! Tenham vergonha!

Querem perceber exactamente porque é que a infeção pelo vírus SARS-CoV-2 é complicada? Trata-se de um vírus completamente novo, para o qual não dispomos de um tratamento dirigido, nem vacina protectora. Não, não é como a gripe. E é justamente isto que gostaria de vos explicar.

Olhando para o caso italiano, sabemos que por ano, em Itália, morrem 10.7 pessoas em cada 1.000 habitantes. Para um país com 60 milhões de habitantes, são expectáveis 640 000 mortes anuais, a um ritmo médio de 12.300 mortes por semana. O facto de, desde 15 de fevereiro (aproximadamente), terem falecido um número extra de 10 000 pessoas, significa que a taxa de mortalidade aumentou 12%.

Para compreenderem o impacto disto, vamos comparar justamente com o vírus da gripe: em 6 meses de surto anual (nos países temperados, como Itália e Portugal, é expectável que exista gripe entre novembro e abril), estimamos um aumento da mortalidade que ronda os 15%. O que a COVID-19 fez em Itália em seis semanas, sem ter acabado ainda o surto, é o equivalente ao que faz a gripe em 6 meses.

Percebem porque é que um surto desta natureza consegue colapsar qualquer sistema de saúde, por muito avançado e evoluído que seja? Não se iludam, as condições sanitárias no norte de Itália e em Espanha são globalmente superiores às condições portuguesas. Reparem: em Itália existem 12 camas de cuidados intensivos para cada 100.000 habitantes. Em Portugal temos 4. Não há forma, a não ser através do abrandamento do contágio, de lutarmos contra isto.

Mas, se ainda não estão convencidos que o vírus SARS-Cov-2 não é uma simples gripe, posso continuar a esgrimir argumentos: apenas entre 10 a 12% dos doentes com gripe desenvolvem pneumonia/ doença moderada a grave. Esta realidade atinge os 18% para o vírus Sars-CoV-2.

Lembram-se do caos provocado em 2009 pelo aparecimento da famosa gripe A (H1N1)? Atualmente a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a taxa de mortalidade da gripe A seja 0,02%. A mortalidade global estimada para a doença COVID-19 é estimada entre 1,7-2,1%. E para os doentes acima dos 70 anos, a taxa de mortalidade ronda os 8%.

Se eu não consigo compreender porque é que as pessoas acima dos 70 anos continuam a sair à rua para beber um cafezinho, ou fazer uma caminhada, ou ir ao supermercado comprar 2 ou 3 items só porque sim, muito menos consigo compreender as pessoas de 30 anos que agem como se nada fosse. Como se não pudessem ser infetados (sabem que há óbitos abaixo dos 30 anos, ou não?) e continuar a transmitir a doença. Será que não pensam que o seu comportamento é um risco evidente para os outros?

Como é que uma Provedora de Justiça se acha no direito de terminar a quarentena a quem, proveniente de outro país devastado pela pandemia, regressa agora, na Páscoa, para as aldeias envelhecidas do interior do país? Estamos a brincar aos brandos costumes? Estamos a brincar às meias medidas?

Por isso, tenho muita dificuldade em compreender como é que uma população de um país pequeno, pobre, mal governado, recentemente alvo de resgate económico, não age em conformidade com a real ameaça que esta pandemia representa. O que nos separa do total colapso do sistema sanitário é tão e somente o comportamento da população. Dinheiro não há, camas extra não existem, as equipas médicas não se multiplicam, nem as omoletes se fazem sem ovos e os famosos 20.000 ventiladores chineses ainda não chegaram. Restamos todos nós!

Qual é a parte do risco que não conseguem compreender?

Querem que, como médica, vos trate a 50% daquilo que é recomendado? Ou que, caso entrem em insuficiência respiratória, providencie suporte ventilatório apenas 12 horas por dia?

Qual é a parte da recomendação "fiquem em casa" que não compreendem?

Um texto da médica pediatra Joana Martins.

Deus estará farto de nos aturar?

Alto Chicapa, 26.03.20

Junto ao rio Tejo há pessoas que se passeiam, com cão, sem cão. Passeiam a pensar que vão isoladas e que está tudo bem. Não percebo que parte do Fique Em Casa é que não perceberam, mas depois recebo um vídeo de um senhor num centro comercial a dizer que isto é uma praga divina, Deus estará farto de nos aturar, que isto é uma limpeza mas que a ele especificamente, este senhor com cerca de 70 anos, ou seja, grupo de risco, nada afetará. Deduzo que nada o atacará por acreditar em Deus.

Lembro-me sempre da anedota do tipo que vive umas cheias terríveis e está agarrado à janela a ver a água subir, subir. Passa um barco que o quer levar e ele recusa, dizendo: “Deus me salvará”. Mais tarde, já numa situação terrível, passa um helicóptero e quer tirar o homem do cimo do telhado no qual teve de procurar refúgio. De novo, a resposta: “Deus me salvará”.

Conclusão, o homem, tão crente, morre e chega ao céu, injuriado e frustrado refila com Deus: “Então? Eu acreditei em ti e TU não me salvaste!” Deus, podemos imaginar que é o Morgan Freeman que sempre dá mais sumo à história, vestido de um branco imaculado, quem sabe de jelaba, responde. “Então?! Então nada, eu mandei-te um barco e um helicóptero e tu não quiseste”.

No nosso caso, quando nos dizem para ficar em casa não são palavras divinas, são palavras de quem sabe mais do que nós.

E a quem não pode ficar em casa, porque é médico, porque está numa mercearia, padaria, porque recolhe o lixo ou está a trabalhar para garantir bens essências, o meu agradecimento.

Texto de Patrícia Reis

 

Nota pessoal.

A nossa Europa sofisticada, com alta tecnologia e cheia de “glamour”, evidenciou neste futuro recente penúria e uma falta de visão política e cultura do passado. Menospreza todos os ensinamentos adquiridos à volta de doenças como a malária e outras epidemias nas suas ex-colónias de África à Ásia.

A Europa tem de se reinventar… sem dependências em todos os setores, quer para produzir máscaras e outros equipamentos de proteção… uma simples bata de enfermeiro, que está para chegar da China… um medicamento, esgotado, de um laboratório no Paquistão, que voltou a ser desviado por quem pagou mais.

Enfim, os “nossos” eleitos que decidem o que é prioridade, esquecem-se / esqueceram-se que os males e/ ou epidemias também podem acontecer no sistema de saúde de países ditos ricos… onde os orçamentos se sobrepõem às pessoas.

A lição que o coronavírus nos está a dar, talvez…

Carlos Alberto Santos

Site dos Ex-Militares Companhia 3485

Ex-Militares Companhia 3485 e Amigos - Calendário das atividades, com novas datas

Alto Chicapa, 23.03.20

Apesar de ser tempo de recato, de cuidados redobrados e de atenção aos nossos (familiares, amigos e conhecidos) devemos estar, também bem informados.

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Nestes momentos, estar bem informado é importante... nesta guerra sem inimigo visível, nem os médicos estão a escapar.

No entanto, lembrem-se:

- Demasiada informação, a boa, a má, as lamechices dirigidas a mentes fragilizadas, as parvoíces, etc., pode originar um curto-circuito depressivo;

- Se o nosso cérebro e o sistema nervoso permanecerem em sobrecarga, a ansiedade converte-se também num inimigo; e

- O stress, a dramatização, e a negatividade ou o exagero são fortes inimigos do sistema imunitário.

Acreditem, para manterem a vossa sanidade mental, usem a tecnologia QB (quanto baste), quer seja a TV, Internet... de uma forma moderada, duas vezes por dia... e escolham as notícias dos canais oficiais... cuidado com muito aprendiz de feiticeiro, em cena... a desgraça é o terreno deles.

Os que estiveram numa guerra, como nós, por terras do Chicapa e arredores, sabem:

- Cuidar-se e manter a moral do “grupo”, em casa, na mata ou no destacamento, tudo era crucial, com ou sem lesados, a meta era colaborar e ganhar "um por todos, todos por um" e só depois... "eles dirão de nós".

Resumidamente, o que vos queria dizer:

- Não subestimem esta pandemia e avaliem bem, sem pressa, como e quando podem voltar a realizar a vossa vida social.

- Nós, Ex-Militares Companhia 3485 e Amigos, depois de semanas de esperança na contenção do vírus, pelas temperaturas mais quentes, a realidade mostrou que o mais sensato era ficarmos em casa e adiar a viagem à Índia... ganhou a responsabilidade em prol do bem comum, mesmo custando cancelar tantos planos.

- Continuo a acompanhar e a avaliar a pandemia e as informações vindas das autoridades de saúde, que recomendam o recato, a responsabilidade e evitar a tentação de egoísmos, porque o nosso destino e o de outros continuam prontos para serem posteriormente visitados... com saúde.

Calendário das atividades, com novas datas:

1 – A viagem anual de Abril, programada para a Índia, foi remarcada para os dias 12 a 21 Abril de 2021;

2 - O Almoço Convívio anual em Maio, está suspenso - a nova data ainda está por definir; e

3 - O Convívio anual de Novembro / São Martinho, programado para Melgaço / Peneda, foi reprogramado para os dias 12, 13 e 14 de Novembro de 2021.

Um abraço do tamanho do Chicapa, saúde e cuidem-se muito bem.

Carlos Alberto Santos

Site dos Ex-Militares Companhia 3485

COVID19 - Como conviver com um infetado em quarentena

Alto Chicapa, 18.03.20

1 - Como se deve ter uma pessoa em casa em isolamento?

Sempre que possível, para isolar convenientemente uma pessoa infetada com Covid-19 na sua casa deve instalar o doente numa divisão individual e manter a porta sempre fechada e o quarto arejado.

Dentro de casa, deve limitar a circulação aos locais imprescindíveis e, a menos que se torne inevitável, mantenha pelo menos dois metros de distância do paciente.

O paciente deve comunicar com os restantes habitantes da casa apenas por telefone móvel.

Caso tenha necessidade de sair do quarto, é recomendado o uso de máscara e a correta higienização das mãos com água e sabão ou um desinfetante à base de álcool.

Também é recomendável não partilhar a casa de banho. No entanto, caso isso não seja possível, deverá ter os seguintes cuidados:
•Toalhas e roupas do infectado devem ser para uso exclusivo do próprio e colocadas num recipiente isolado depois de utilizadas.
•O paciente deve ter um caixote do lixo de uso exclusivo, de tampa de pé ou automática, com um saco de plástico onde deverá depositar todos os desperdícios, como lenços de papel, toalhitas ou máscaras, que deve ser fechado hermeticamente e despejado todos os dias.

2 - O que fazer com os desperdícios?

Os desperdícios contaminados por um infectado com SARS-CoV-2 (comummente denominado de Covid-19) podem ser perigosos para a segurança do resto das pessoas que convivem na casa. Por esse motivo, o tratamento correto pode evitar possíveis contágios. É imprescindível o uso de produtos descartáveis, isolados corretamente e colocados dentro de um saco de plástico fechado, dentro do lixo.

3 - Como limpar a casa?

O facto de conviver com alguém infetado torna imprescindível uma limpeza cuidada e exaustiva para evitar novos contágios. Assim, deve prestar especial atenção às superfícies que o infetado possa ter tocado.

A pessoa encarregada da limpeza deve usar máscara e luvas. Para desinfetar deve usar uma solução de água com lixívia (e nunca misturar aqui um lava-tudo).

As superfícies de contacto frequente, como fechaduras e puxadores, mesas, torneiras, interruptores, telefones e teclados, devem ser limpas diariamente.

A loiça e os utensílios de cozinha devem lavar-se com água quente e detergente, preferencialmente na máquina de lavar, para alcançar os 60 graus.

A roupa do paciente deve lavar-se em separado com o detergente habitual e a uma temperatura entre os 60 e os 90 graus. Deve secar completamente, de preferência ao ar.

4 - Como prevenir o contágio?

Se suspeita que pode estar doente com Covid-19 e tem perguntas sobre como proteger-se, siga as recomendações da Direção-Geral de Saúde, que são as da Organização Mundial de Saúde.

Cumpra até à exaustão as medidas de higiene e evite o contacto com pessoas infectadas.

Lave as mãos com frequência com água e sabão ou com um desinfectante à base de álcool.
Quando tossir, faça-o para a curva do cotovelo, tapando a boca e o nariz, ou para um lenço, de referência descartável.

Evite mexer nos olhos, nariz e boca.

Mantenha no mínimo um metro de distância entre si e as restantes pessoas, dois metros se apresentarem sintomas de constipação ou febre.

Limite ao indispensável os ajuntamentos (cinema, teatro, ginásio, restaurantes, centros comerciais, transportes públicos, por exemplo).

5 - O que fazer se suspeitar que está infetado?

Se acredita que pode estar infetado por apresentar sintomas compatíveis com a doença (febre ou cansaço ou tosse seca ou dificuldade respiratória - alguns pacientes também apresentam dores no corpo ou congestão nasal ou diarreia), por ter viajado para zonas vermelhas (China, Coreia do Sul, Singapura, Irão ou Itália) ou por ter estado com alguma pessoa contagiada, siga os seguintes passos:
1.Isole-se. Não vá a um médico, a um centro de saúde ou a um hospital;
2.Telefone para linha Saúde 24 (808 24 24 24);
3.Faça o teste. Se negativo, caso descartado e siga as recomendações acima. Se positivo, com sintomas leves, pode ficar a ser tratado em casa, em isolamento, com sintomas graves será internado e tratado num hospital, em isolamento.

Caso tenha problemas respiratórios graves, solicite sempre atenção médica ou contacte o 112 ou o 808 24 24 24. Qualquer pessoa hospitalizada devido a infeção respiratória aguda será submetida ao teste do Covid-19, independentemente do seu historial.

6 - Em que consiste o teste ao Covid-19?

O teste baseia-se na recolha de amostras do tracto respiratório. Podem ser realizados num hospital público (ou hospital de campanha), mas também em laboratórios privados e até no domicílio.

Apenas se o resultado for positivo ou inconclusivo são colhidas novas amostras e enviadas para o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

7 - O que acontece se o teste revelar positivo?

Cerca de 80% das pessoas recupera da doença sem necessidade de um tratamento especial. Apenas se os sintomas são graves é recomendado o internamento hospitalar, caso contrário a recuperação pode ser feita em casa, em isolamento, com ajuda de medicamentos para aliviar os sintomas.

8 - Como sei que estou curado?

Volta a fazer o teste, desta vez duas amostras respiratórias com uma diferença de, pelo menos, 24 horas.

9 - Posso voltar a ficar infetado?

Não existem evidências científicas que demonstrem que um pessoa que tenha sido contagiada com SARS-CoV-2 (comummente denominado de Covid-19) possa voltar a ficar infetada uma vez superada a doença.

10 - Recebo salário se ficar em casa?

Se estiver de quarentena, receberá por esses 14 dias (tempo de isolamento). Para lá desse tempo, receberá de acordo com o definido na lei em matéria de baixas.

No caso de ter de ficar em casa a acompanhar filhos, e se estes tiverem até 12 anos de idade, receberá 66% da remuneração base no caso de ser trabalhador por conta de outrem. Desse valor, metade ficará a cargo do empregador, a outra metade a cargo da Segurança Social. O governo prometeu ainda que será dado um "apoio financeiro excepcional aos trabalhadores independentes" na mesma situação, "no valor de um terço da remuneração média".

Fonte Sapo24

Ex-Militares da 3485 no MEO Kanal

Canal nº 888882 – Ex-Militares da 3485 no MEO Kanal