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Notícias e Estórias

O momento justifica-o e o objecto da família, Ex-Militares da Companhia de Caçadores 3485, impõe-no. Vamos, todos, contribuir com notícias e estórias do presente e do passado.

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De passagem... por Dublin, Irlanda - Agosto 2019

Alto Chicapa, 26.08.19

O primeiro contato com a Republica da Irlanda foi, logo ao princípio da manhã, na moderna cidade de Dublin. Para quem se preparou, psicologicamente, para a chuva, rapidamente percebeu que o ”filme” era outro: Bom tempo, um sol radioso e temperatura primaveril.

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As primeiras impressões da cidade foram muito agradáveis. Um ambiente leve, descontraído cheio de lagos e espaços verdes ou, neste caso, de irlandeses… sedentos de sol.

Depois de um passeio panorâmico:

- Entre edifícios novos, que não destoam no espaço urbano antigo, muito bem preservado, e o edifício público georgiano, o General Post Office símbolo dos combates entre irlandeses e a Inglaterra, do nacionalismo e da proclamação da Republica da Irlanda;

- Pelas margens do rio Liffey, que divide a cidade em norte e sul;

- Pelas diferentes pontes (dizem, que são 25), incluindo a famosa Ha'Penny Bridge;

- Pelo memorial à tenacidade e à grande fome de 1845 a 1849, um conjunto de estátuas em ferro que, pelas expressões, não me deixaram indiferente;

- Pelo Monumento da Luz, “The Spire”, uma escultura pontiaguda, com 120 metros de altura, que simboliza o crescimento económico da Republica da Irlanda, depois de ter saído do Reino Unido;

- Pelas Catedrais de Christ Church e St. Patrick;

- Pelo Trinity College, a grande universidade.

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Fomos almoçar:

- Um típico guisado de carne irlandês, acompanhado por um pint de Ginness Stout (cerveja preta, malte);

- Num local acolhedor, onde atrás de cada recanto havia um passado e muitas vivencias… quase, um “country pub”. O Pub Nancy Hand num estilo vitoriano, é um conjunto fantástico… merece uma visita.

O almoço foi no andar de cima, no restaurante, que parecia ligeiramente renovado com excessivas tábuas de pinho, para o estilo. Ao lado ficava outro magnifico espaço, o piano bar.

No andar de baixo, vi três bares, o do café, o do whisk e cocktails e o do conforto, num ambiente global com muitos tijolos, armários vitorianos, frascos, garrafas, relógios antigos, uma espécie de jukebox e lareira.

Os contos irlandeses, mais antigos, já relatavam a existência de uma zona de conforto nos pubs, Snug Bar, um local, com identidade própria e entrada individualizada, para as senhoras, num espaço em linha e ligado à restante estrutura.

Terminado o almoço, rendi-me à escada que ligava os dois pisos. Uma peça magnífica à boa maneira dos filmes.

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Seguimos para uma visita guiada à Guiness Storehouse.

Ai conhecemos os modos de produção da famosa cerveja irlandesa, o seu rico património, a história da marca, uma das mais conhecidas no mundo, que em 1862 adotou a harpa irlandesa como símbolo. No último piso, no Gravity Bar desfrutámos a icónica Stout preta e também de algumas das suas variantes, entre uma música agradável e uma magnífica vista a 360 graus sobre Dublin, para a Torre de São Patrício, Croke Park, Catedral de São Patrício, Phoenix Park, Igreja John’s Lane, Trinity Colleg, Catedral Christ Church e o Promontório de Howth.

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Tudo o que nos foi contado através das gravações do equipamento distribuído à entrada, é fantástico e gigante… uma cervejeira, que foi um país dentro do país. No entanto, apesar de saber que tudo aquilo é um museu, com lojas e bares, achei, que aquela encenação de luzes e de “folclore de marketing” era exagerada.

No final, enquanto descia as escadas, já aceitava, com outros olhos, aquela promoção e também estava mais convencido pelo modelo sustentável e afortunadamente real de uma empresa que começou, quando em 1759 Arthur Guinness arrendou uma fábrica, por um período de 9000 anos, para produzir cerveja e, em simultâneo, cuidar do bem-estar e dos bons ordenados para os seus empregados.

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A meio da descida parei numa casa de banho. As condições e a limpeza eram inquestionáveis.

Por lá, alguém se esqueceu de um cartão com uma receita para o melhor guisado de carneiro da Irlanda, que transcrevo:

- Cortar a carne de carneiro magro em cubos médios;

- Cortar batatas médias ou pequenas, em pedaços;

- Cortar cenouras em tiras finas ou rodelas;

- Cortar as cebolas em rodelas finas;

- Descansar um pouco para beber dois goles de cerveja;

- Numa panela, colocar no fundo uma camada de cebola e cenouras e, só depois, uma camada de batatas;

- Temperar com ervas aromáticas ao gosto e pouco sal;

- Recobrir com a carne;

- Finalizar com um camada de cebola generosa e água suficiente, mas sem cobrir a ultima camada;

- Deve ter o cuidado de, entre camadas, ir refrescando a garganta com goles de cerveja;

- Cozinhar em lume médio;

- Para o sucesso do cozinhado e enquanto aguarda… beba mais uma cerveja Guinness, feita com malte irlandês, água de Dublin, lúpulo e levedura.

A visita a Dublin só ficaria completa com uma visita às duas catedrais na cidade:

- A Igreja de Cristo (Christ Church) construída no começo do século XI (1030), na época dos vikings, é a mais antiga. Foi reconhecida como Catedral de Dublin no ano de 1300. Entre os séculos XVI e XVIII, foi votada ao abandono… por lá, funcionou um mercado e até um pub. No final do século XIX, uma grande reforma devolveu a Catedral à cidade e ao culto como Igreja Católica de Roma. É a sede da diocese de Dublin.

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- A catedral de São Patrício (Saint Patrick’s Cathedral) é dedicada ao santo padroeiro da Irlanda. Devido à rivalidade entre as duas catedrais, o edifício atual, que data de 1220, foi denominado, Catedral Nacional da Igreja da Irlanda, de Comunhão Anglicana. Neste lugar podemos ver inúmeras representações do santo, mas ninguém sabe ao certo como seria a figura dele, pelo que há na Catedral diferentes imagens.

A, São Patrício, o grande incentivador da confissão individual, é atribuído o fato de ter feito desaparecer as cobras da ilha. Algumas das suas imagens aparecem com o Santo com um cajado a esmaga-las.

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Como a cidade não vive só de Guinness, Pubs ou Saint Patrick’s Days a visita à biblioteca, da primeira universidade da Irlanda, Trinity College, fundada pela Rainha Elizabeth I em 1592 num convento, é imperdível… olhar, de tão perto, para o maior tesouro nacional da Irlanda, o Livro de Kells… é fascinante. O livro é um manuscrito iluminado, de qualidade, que foi publicado durante a época medieval com o objetivo de divulgar o Evangelho. Foi escrito, em latim, pelos primeiros monges cristãos por volta de 800 dC. Contém os quatro evangelhos do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João) junto com vários textos e tabelas. A origem dos povos deve ter contribuído para o aparecimento de elementos da cultura celta em várias ilustrações. O nome teve origem no Mosteiro de Kells, lugar onde esteve até 1661. A conservação do manuscrito também impressiona bastante, sabendo que, até hoje, resistiu às invasões dos vikings, revoltas, fome, perseguições e ao desaparecimento para roubo da capa com as joias incrustadas.

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Construída entre 1712 e 1732, a câmara principal da biblioteca antiga, chamada “The Long Room” com quase 65 metros de comprimento tem mais de 200.000 livros dos mais antigos, que ainda estão em uso na universidade. É um lugar impressionante com tetos altos e abobadados e que reconheci de imediato do filme Guerra das Estrelas. Ao longo da passagem principal há bustos em mármore de personalidades, que de algum modo se relacionaram com a vida estudantil, uma cópia da proclamação da Republica da Irlanda em 1916 e o símbolo nacional do país, uma harpa do século XV chamada “Brian Boru”.

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Finalmente… foi à noite, num pub fechado com mesas corridas e em ambiente escuro que as representações culturais e o lado mágico Celta ocorreu e onde foi visível o orgulho imenso de sentirem-se como os naturais descendentes da cultura Celta.

O Merry Ploughboy, disponibilizou-nos num bom ambiente de pub, um agradável jantar, mas não esperem comida muito apaladada ou com sabores intensos, um show de música irlandesa, de clara raiz Celta e, devido à emigração, com muitas influências da música country americana, e danças alegres, sensuais e saltitantes, que, dizem, deu origem ao sapateado nos Estados Unidos.

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Se um dia forem à Irlanda ou só a Dublim envolvam-se quanto puderem nesta cultura, porque jamais vão dizer, que ingleses e irlandeses são a mesma coisa.

Carlos Alberto Santos

www.cc3485.pt

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